LER RÓTULOS: 4 DICAS PARA OS INTERPRETAR

 

Hoje vamos falar de rótulos, em particular daquela lista de informações obrigatórias que ainda passa muitas vezes despercebida aos nossos olhos, mas que é realmente muito útil para sabermos ao certo como nos alimentamos.

Para isso destacamos 4 pontos, 4 dicas, que de forma muito simples nos explicam e alertam sobre o que devemos ter em atenção quando olhamos para um rótulo.

Ah! E antes de avançarmos, reforçamos de antemão que quanto mais sugestivas são as embalagens, a cor, as imagens, o design, maior atenção devemos prestar aos rótulos!!!

Conseguir ter uma alimentação mais saudável, não consumir ingredientes que não podemos, devemos ou queremos, saber a origem do produto, escolher o que pretendemos e fazer compras mais económicas são apenas algumas das vantagens que retiramos ao saber ler os rótulos dos alimentos embalados.

Agora, vamos aos que interessa:

1ª Dica: Os ingredientes são apresentados por ordem de quantidade a começar no mais abundante.

Por exemplo: nas embalagens de manteiga normal em primeiro lugar vem a gordura (contém 80%) mas nas de manteiga magra em primeiro lugar, aparece a água como ingrediente mais abundante e só depois a gordura (contém 41%).

2ª Dica: Quando um ingrediente vem citado em letras e sugestivas imagens na embalagem, o fabricante tem de especificar a percentagem desse ingrediente nos rótulos de composição.

Vejamos a título de exemplo uma garrafa de sumo colorido, cuja designação é “Light Equilíbrio _ Manga Laranja”:

  • Texto do rótulo: néctar de manga/ laranja proveniente de concentrados. Contém açúcar e edulcorante. INGREDIENTES: Água, sumos e polpas de manga (21%) e de laranja (19%): à base de concentrados, açúcar, regulador de acidez: ácido cítrico, antioxidante: ácido ascórbico e edulcorante: glicosídeos de esteviol.
  • Interpretação do rótulo: de sumo de manga tem 21% e laranja 19%, mas proveniente de concentrado. Tem adoçantes artificiais (edulcorantes), os aromas são adicionados e a cor também. O antioxidante, que aumenta a longevidade dos produtos, prevenindo a oxidação, advém do ácido ascórbico e do ácido cítrico.

É bom fazer as contas e verificar se não vale a pena optar por uma manga e um sumo de laranja natural.

Raquel Fortes, Co-fundadora da Move Wisely

3ª Dica: Aditivos Alimentares = “E” maiúsculo seguido de um número com três algarismos.

Os aditivos alimentares não são alimentos. São substâncias, que podem ou não ter valor nutritivo, adicionadas intencionalmente durante o processo de fabrico, transformação, preparação, tratamento acondicionamento, transporte ou armazenamento de um produto alimentar, não são normalmente consumidos isoladamente como alimentos, nem utilizados como ingredientes típicos dos alimentos.

A utilização de aditivos alimentares na produção dos alimentos é controlada e avaliada por instituições científicas competentes, sem as quais os aditivos não seriam autorizados para uso alimentar. Ao passarem os testes de segurança ficam aprovados para serem utilizados em toda a União Europeia.

Este “E” maiúsculo vem sempre seguido de 3 algarismos, e agrupa-se nos seguintes intervalos:

  • E100-E180 Corantes (Caramelo E150a) São utilizados para substituir a cor natural, perdida durante a transformação ou o armazenamento dos alimentos. Exemplo: Caramelo (E150a), utilizada em produtos como molhos e bebidas sem álcool.
  • E200-E290 Conservantes (Dióxido de Enxofre E220): ajudam a evitar que os alimentos se deteriorem. A maioria dos alimentos com longa duração de conservação inclui conservantes, a menos que tenha recorrido a outro método de conservação como congelação, conserva ou secagem. Exemplo: os frutos secos são frequentemente tratados com dióxido de enxofre (E220) para impedir o desenvolvimento de bolor ou bactérias.
  • E300-E321 Antioxidantes (Vitamina C E300): aumenta a longevidade dos produtos, ajudando a impedir que matérias gordas, os óleos e certas vitaminas se combinem com o oxigénio do ar. Evitam assim que se desenvolva o processo de oxidação que provoca o aparecimento de ranço e a perda de cor em produtos. Exemplo: vitamina C, também designada por ácido ascórbico ou E300.
  • E322-E494 Emulsionantes (E322), estabilizadores, gelificantes (E440) e espessantes: os emulsionantes, como as lecitinas (E322) propiciam a mistura de ingredientes que, normalmente, se separariam, como o óleo e a água. Os estabilizantes ajudam a impedir que os ingredientes cominados se voltem a separar. O gelificante, como a pectina (E440) é muito utilizado no fabrico das compotas. Os espessantes, muito comum nos iogurtes sólidos, ajudam a dar mais corpo ao alimento, do mesmo modo que a adição de farinha faz engrossar um molho.

Outros aditivos comuns:

  • E620-E635 Intensificadores de sabor: salientam o sabor dos alimentos salgados e doces sem alteração do sabor próprio. Exemplo: glumato de monossódio (E621), utilizado em alimentos transformados como sopas, molhos e enchidos.
  • E950-E967 Adoçantes: substituem muitas vezes o açúcar em produtos como bebidas gasosas, iogurtes e pastilhas elásticas. Exemplos: aspartane (E951), sacarina (E954) e acessulfamo K (E950).
4ª Dica: Código de Barras

Se for como nós, gosta de saber se o produto é produzido e embalado em Portugal. Como? Simples, verifique se o código de barras começa com 560.

Estamos certos que com esta 4 dicas será muito mais fácil conhecer os alimentos e fazer escolhas mais conscientes e saudáveis.

A par com esta informação, sugerimos que utilize também o descodificador de rótulos disponibilizado pelo Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável.

Por fim, fica o desafio de pôr estas dicas em prática já na sua próxima ida ao supermercado!

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