A “dieta” da prima é sempre melhor do que a minha!

Será mesmo?… Quem nunca ouviu, pensou ou sentiu algo do género que ponha o dedo no ar.

A verdade é que quando alguém decide perder peso é, muitas vezes, facilmente seduzido por aquela “dieta” milagrosa que alguém diz conhecer alguém que fez, e que com ela perdeu 20 kg em dois meses…

Pena é que muitas vezes não se avalie o resultado dessa tal “dieta milagrosa” passado 6 meses, ou até um ano. Infelizmente, em muitos dos casos, quem perde 20kg em 2 meses acaba por ganhar 30 em seis meses, por vezes mais ao final de um ano ou, caso contrário, a “dieta iô-iô” não seria tão famosa.

Será que perder peso é um desejo assim tão distante ou inatingível, apenas viável se implicar passarmos fome?

 

Pelo contrário.

Se por um lado é verdade que para perder peso temos de comer menos do que gastamos, por outro lado importa termos uma relação saudável e consciente com a comida.

Um equilíbrio possível de atingir se pensarmos e actuarmos numa lógica de reeducação alimentar e não numa lógica de restrição alimentar.

 

Importa afastar o objectivo de fazer dieta de uma dimensão meramente física e de perda de peso, e pensá-la de uma forma integrada e holística, num mix onde exercício fisico, sono e descanso são igualmente importantes.

Se pensarmos que tal com há a dieta iô-iô, há a dieta mediterrânica, a dieta vegetariana, a dieta anti-inflamatória, a dieta Keto, a dieta Atkins, a dieta vegan, etc, etc… então o problema talvez esteja na nossa percepção da palavra “dieta” em si.

Fomos ao glossário disponibilizado pela Associação Portuguesa de Nutrição onde “dieta” é definida como sendo a “ingestão total combinada de alimentos (de qualquer forma) de todas as fontes por um indivíduo”. Et voilá!

Tal como se consultarmos a A Evolução Etimológica e Cultural do Termo Dieta conseguimos descodificar ainda mais o seu conceito:

“O périplo de retorno ao significado originário de “dieta” cria condições para uma reflexão sobre o valor simbólico do conceito no presente. A correspondência inicial a “modo de vida” aponta para a necessidade de se realizar uma escolha – escolha que, no domínio da alimentação, equivale a um determinado “regime alimentar”. Apesar de ser a mais relevante componente, esse “regime” era apenas parte de um esforço mais abrangente de equilíbrio, o qual, por sua vez, era composto pelo ajustamento de outros elementos igualmente essenciais na vida de um indivíduo, como o sono ou o exercício físico. A harmonização desses elementos confluía para a obtenção de um estado de bem-estar físico, mental e psicológico, afastando o objectivo de “fazer dieta” da dimensão física e da perda de peso, ideia que julgamos necessário retomar.”

– in A Evolução Etimológica e Cultural do Termo “Dieta” (pág. 3), Joana Falcato, Pedro Graça

Se dieta é na verdade constituída por tudo o que ingerimos, então a chave está na reeducação alimentar.

Seja o nosso objectivo perder peso, ganhar energia anímica, força muscular ou melhorar o desempenho desportivo, se não queremos comprometer a nossa saúde, temos de começar a alimentarmo-nos como se a nossa vida dependesse disso. Somos o que comemos e a forma como o fazemos faz toda a diferença.

Isto implica ter consciência, avaliar os nossos hábitos, crenças e comportamentos relativos à nossa relação com a alimentação, para reaprender a comer de forma moderada, com prazer e em paz.

Aprender o que nos faz bem em determinadas fases da vida, em detrimento do que nos faz menos bem, sem contudo diabolizar esses alimentos.

Perceber, também, que há certas condicionantes físicas e metabólicas importantes neste percurso, pelo que, por exemplo, conhecer o nosso perfil metabólico poderá ser um bom ponto de partida.

Outro, será avaliar se temos alguma patologia que possa influenciar o nosso peso, tanto em termos de ganho, como de perda, como no caso das disfunções da glândula tiroide, apenas para dar um exemplo.

Podemos dar-lhe algumas dicas como ponto de partida para iniciar esta viagem:

  • Priveligie alimentos in natura, obtidos diretamente de plantas ou animais que não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza, e alimentos minimamente processados, como base das refeições. Exemplos: hortícolas (legumes e verduras), frutas, carnes, peixes, ovos, laticínios, feijões, grãos… de preferência de produção controlada e local.
  • Evite o consumo de alimentos processados: pão branco, biscoitos, bolachas, cereais açucarados, fast-food, entre muitos outros.
  • Reduza a quantidade de salazeite, óleos ou outras gorduras saturadas, tanto no tempero, como na preparação de alimentos.
  • Minimize consumo de açúcar, seja em alimentos ou em bebidas.
  • Planeie bem as suas compras e as suas refeições.
  • Coma sentado, com tempo, sem ecrãs. Mastigue bem a comida.
  • Beba pelo menos 1.5 litros a 2 litros de água por dia.
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Faça exercício fisico de forma regular e com prazer.
  • Dê prioridade ao seu descanso.

Contudo, o caminho mais eficaz será aconselhar-se com quem tem as ferramentas e o conhecimento necessário para o poder orientar e acompanhar nesta jornada de forma personalizada, à medida do seu objectivo, com eficiência e em segurança.

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